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terça-feira, 26 de julho de 2011

Passado, presente, futuro



Andei, ando, andarei
Por qual motivo o futuro
É tão tão diferente do agora,
Do que o antes

Mais tarde eu diria:
- Modifiquem tudo.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Natura urbana



Sinto-me invisível nesse espaço
Onde recaí-me árvores de 100 metros,
Exausto de não falar
Agarro-me a fortes árvores,
Com meus braços suados
E borboletas pousando
Em minhas memórias.


Paciência

Lenine





Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta para perceber?
Será que temos esse tempo
Para perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não para não...

Aquela mulher


A púpila negra
O cabelo liso
Os lábios da terra
O coração anil
O passo sem definição
Um aperto sem a mão
Um sorriso de terra,
Um meridiano.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Recordação

Recordo a cadeira de balanço
Levada pelos ventos
De frente a trás
Na tarde de sol

Agora recordo
Só o que não me vinha,
no passado,
Por que a recordação
É a lembrança do presente.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Rua

        A rua escurecia
        As casas se recolhiam,
        As árvores atinavam
        Os meus passos na calçada
    
        Os sons calaram
        Os ruídos surgiram,
        Os lençois sobre as camas
        O vento enovelado, as estrelas o chamam

        O urutau canta longe
        Entre as palmeiras, não sei aonde!
        Acompanha-me esse pequeno som.

        Entro em casa, tudo dorme.
        Enrolo-me no lençol, o som some!
        O vento dorme na calçada.                  

terça-feira, 12 de julho de 2011

Para todas as horas



Todo o modo de amor
Todo o tempo que se dá
Pra todo o instante que existe
Para cada novo olhar

Pra toda hora que acaba
Pra todas as palavras escapadas
Para o sonho que esvaziou
Pro filho sem o amor

Pro coqueiro seco
Feito de assento
Pro luar daquela noite
Para os fortes ventos

Por acaso o acaso se fez,
Já não há o que fazer
Se não fugir do mal
E recomeçar outra vez.

sábado, 2 de julho de 2011

Às vezes

Às vezes penso em deixar as coisas como estão, como antes não eram, mas, que de repente se transformaram.

Às vezes confesso, penso em revirar tudo que está errado e repor no lugar tudo que há de bom. Às vezes me sinto fraco, sem forças suficientes para controlar minhas insuficiências, repor minhas idéias vitais e recompor alegrias próximas. Às vezes encontro passarinhos caídos de ninhos, a chamar proteção, mas, minhas forças não são suficientes para ajuda-los, entristeço-me.

 Às vezes as coisas pensadas transbordam pelos meus olhos e atingem o solo que um dia beijei, que um dia nasci modelado pelas mãos do pai. Ainda há vezes que não perco a esperança, vivo contando coisas boas em minha memória, seguro os ponteiros do relógio, para acompanhar os meus bisnetos inocentes. Às vezes sem estar só, pensando que sim, olho para o céu e contemplo as estrelas a piscar, procuro imaginar que são vaga-lumes a voar. Às vezes não encontro borboletas, e percebo a falta do sorriso  meu e o desprezo da flor.

Às vezes quando as encontro voando nas trilhas sem trilhos, sorrio e abraço as flores iluminadas pelo sol. Às vezes observo uma aranha, um bem-te-vi construindo sua casa, uma folha com orvalho, a formiga trabalhando, o vento passando por entre meus braços. Há vezes que vivo e encontro respostas para o que já foi dito, exemplo definido do mundo atual são as belas palavras de Renato Russo: ''é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar na verdade não há'', - é o que se ouve das pessoas possuintes de algumas esperanças.

Às vezes vivendo delicadamente, guardando todos os dias com cuidado, percebo que compreender as coisas de vez em quando, me alimenta a alma e me faz chorar.